SENAC, Pindamonhangaba

Project: 2014 _ Pindamonhangaba, SP _ Brasil _ Construction: 8.528 m² Project Team: André Weigand; Mariana Weigand; Olegário Vasconcelos; Aline Gaspar; Fernanda Castelo Branco;

A principal ideia do projeto é a de um edifício conceitualmente simples, modulado a partir da paginação de 1,25 por 1,25 metros e que, como conjunto, tem uma composição harmônica e admirável, que transforma seu interior conforme a incidência de luz externa e que causa efeitos visuais singulares que lhe tornem original à medida que ao cair da noite suas luzes internas se acendam. Uma escola para ser vitrine da educação ministrada, onde os locais de estudo não restrinjam nem confinem o aluno, mas que antes de tudo abram todas as possibilidades do mundo a ele!
 
PARTIDO ARQUITETÔNICO
Procuramos antes de tudo um Conjunto Arquitetônico marcante, um edifício transparente, interativo, no fluxo de dentro para fora e vice versa, que desse a devida importância à natureza e ao desenvolvimento de pessoas. Na praça e áreas de vivência, adotamos a liberdade do usuário como premissa, e procuramos agir com ponderação para dosar e orientar a luz solar, a permeabilidade nos jardins, o deslocamento e o convívio. Pensamos no edifício como o local que propicie de forma ideal a evolução do indivíduo.
Projetamos um edifício voltado para a cultura e a educação e consideramos a relação do edifício institucional do SENAC com o bairro tipicamente urbano de uma cidade em franco desenvolvimento do porte de Pindamonhangaba.
Privilegiamos a perspectiva do Conjunto Arquitetônico estabelecendo o devido recuo para a relação ideal com o observador que chega pelo acesso da rua, fugindo do alinhamento dos demais vizinhos. Posteriormente dispusemos todo o programa de necessidades sempre pensando em criar a melhor relação com os usuários, os microclimas internos e todo o edifício. Permeado por vidros, brises soleil e espaços vazios, o SENAC Pindamonhangaba permite ao observador perceber toda vida que ocorre dentro dele.
IMPLANTAÇÂO E INSERÇÃO URBANA
A Rua Suíça, que dá acesso à futura unidade do SENAC em Pindamonhangaba é estreita em relação ao fluxo, longa e de usos diversificados. Para definir a melhor implantação do conjunto no terreno, tomamos como partida a análise e definição de alguns parâmetros: o conjunto de edifícios residenciais vizinho, a praça, vizinhança de baixo gabarito na face leste do terreno e orientação solar.
Optamos por recuar todo o conjunto em relação ao alinhamento frontal do lote, e com isso criamos um momento de “alívio” e “respiro” para rua, além de conseguir ótima amplitude para valorização e observação do novo conjunto com respeito aos lotes e imóveis vizinhos e à imagem do SENAC.
A fim de evitar o adensamento dos edifícios vizinhos com o novo conjunto proposto e ampliar a perspectiva dos usuários, definimos a implantação dos ambientes educacionais em um edifício no formato “L” que confere personalidade à fachada principal e cria as circulações necessárias às classes de aula com a melhor iluminação natural possível e conforto térmico.
ECOEFICIÊNCIA
Em todo projeto foram considerados aspectos tecnológicos de conforto ambiental e eficiência energética que trouxessem a melhor relação custo-benefício e durabilidade para o edifício operando em sua plena capacidade de atendimento ao publico. Adotamos diversas soluções naturais que auxiliassem a ventilação e o microclima, impedindo o superaquecimento no interior do edifício e evitando ao máximo equipamentos de climatização. Bicicletário foi implantado incentivando o transporte saudável e não poluidor. Drenagem e permeabilidade natural foram privilegiados com área acima da solicitada pela legislação local. Aquecedores a partir de placas solares foram previstos na cobertura e captadores fotovoltaicos serão pré-locados no projeto de instalações com previsão de instalação em fase futura tão logo se justifiquem como economicamente viáveis. A captação de águas pluviais será utilizada para fins adequados na rega e manutenção dos jardins e possíveis reusos e otimizações serão também considerados dentro dos melhores parâmetros de aproveitamento. Toda construção terá sua automação considerada para fins de economia e perfeita administração do edifício, e a iluminação artificial será prevista como adequada e de melhor relação de consumo.
ACESSO PRINCIPAL
O espaço entre a rua e o acesso principal foi ocupado por um espelho d’agua que funciona como elemento de divisa e segurança (evitando uso de gradis), e ao mesmo tempo em que compõe e reflete o conjunto arquitetônico, colabora com o microclima aumentando a umidade auxiliando no equilíbrio do clima subtropical quente de baixa pluviosidade (inverno) de Pindamonhangaba. Uma rampa sobre o espelho d’agua promove o ingresso para o edifício escola do SENAC Pindamonhangaba, atravessando o portal inserido em um bloco de elementos vazados.

SUBSOLO e PAVIMENTO TÉRREO
O usuário chega à Vitrine Educacional no primeiro contato com o interior, composto por recepção, biblioteca e auditório, locados todos no nível térreo que se encontra 1,30 metros acima da rua, partido tomado para diminuir a escavação do subsolo, diminuir o espaço ocupado pela rampa de acessos de veículos, além de garantir uma ventilação cruzada e iluminação natural para este pavimento.
Tiramos partido da legislação de ocupação e uso do solo de Pindamonhangaba implantando o subsolo e térreo por toda a extensão da fachada principal e consideramos adequada a criação de um bloco de base para os serviços mais ligados ao público em geral.
No subsolo projetamos a garagem, bicicletário, vestiários e instalações técnicas e de apoio. No térreo locamos os serviços administrativos e a Vitrine Educacional, área de maior necessidade de contato com o público externo. Soltamos este bloco propositalmente na divisa dos fundos do terreno, criamos uma perspectiva para os usuários nas áreas de convivência e, prevendo a expectativa da aquisição da pequena faixa de terreno (nos fundos), criamos a possibilidade de ligação em nível do terreno do SENAC Pindamonhangaba com a Rua Irmã Maria Dionísia Seidl, que no futuro próximo poderá ser importante como acesso secundário ou numa possível ampliação.

PRAÇA
Abrigada entre as duas divisas laterais do terreno e cinco metros acima do piso da rua principal a praça de vivência é uma área que abre perspectivas para observação do bloco educacional e toda a paisagem urbana do entorno. Além de possuir um caráter agregador e lúdico como área de encontro dos alunos, a praça também é o coração do Conjunto Arquitetônico, local irradiador dos compartilhamentos afetivos. O revestimento do piso em deck de madeira, o uso da água, pedras, áreas cobertas, vegetação, vazios e passagens compõe o conjunto que deverá também ser área de implantação de uma escultura.

BLOCO EDUCACIONAL
Resultado da implantação que promove o melhor aproveitamento, o controle da luz natural e evita a proximidade com os edifícios vizinhos, o bloco educacional translúcido foi desenvolvido em lajes planas protendidas com entreforros livres para facilidades de instalação e manutenção.
Disposto em cinco pavimentos a partir do piso da praça distribuímos as salas de aula convencionais no primeiro e segundo pavimentos e os laboratórios específicos  no terceiro, quarto e quinto pavimentos. Centralizamos as áreas técnicas e os shafts de instalações para economia de implantação e facilidade de manutenção e criamos um bloco hidráulico para atender sanitários na extremidade dos pavimentos.
Procurando conectar visualmente o bloco educacional com a praça locamos as áreas de circulação dos andares na fachada oeste, criando um agradável percurso para os alunos, e o protegemos com brises-soleil para diminuir a carga térmica nos andares e salas de aula. Um bloco de circulação vertical promove o acesso rápido entre pavimentos e cria um objeto marcante com jardim vertical compondo com os elementos da praça.
Na cobertura do bloco educacional, prevemos as instalações técnicas e de equipamentos necessários para o atendimento ao complexo escolar.
 
Back to Top