SENAC, Bebedouro

Project: 2015 _ Bebedouro, SP _ Brasil _ Construction: 3.330,00 m² Project Team: Felipe Rodrigues; André Weigand; Mariana Weigand; Olegário Vasconcelos; Aline Gaspar; Fernanda Castelo Branco;

A nova unidade do Senac em Bebedouro, situada na esquina das ruas Dr. Tobias de Lima e dos Andradas, está localizada em uma zona de uso misto segundo o Plano Diretor da cidade. O terreno, ocupado anteriormente pelo Centro de Referência Especializado da Assistência Social, se insere numa quadra exclusivamente institucional, ladeado pela EMEF Cel. Conrado Caldeira, pela Unidade Básica de Saúde Dr. Moacyr Caldeira e pela Farmácia Popular de Bebedouro. Seu comprimento, na rua Dr. Tobias Lima, configura um eixo importante de ligação com o centro da cidade, acentuado por esta nova unidade do Senac.
 
Desse modo, nossa primeira motivação é fotalecer este percurso, ao implantar os acessos, bem como a fachada principal, na via local mencionada. Nossa segunda decisão contextual está vinculada ao gabarito adotado, com testada de 12 metros. Dessa maneira, o edifício inserido não traz nenhum prejuízo de insolação às residências do entorno, em sua maioria térreas; ademais, consolidada o projeto ao  gabarito vigente na quadra dentro da altura estabelecida.
 
A decisão pelo gabarito reduzido, por conseguinte, nos direciona a um edifício compacto, invariavelmente econômico; ocupando boa parte do lote, ainda assim com recuos mais generosos do que os previstos em Legislação. Nosso empenho em fazer relacionar o térreo dessa nova unidade e ampliar sua interface com a cidade nos levou a uma estratégia no exercício do Programa Arquitetônico em favor do Partido.
Nossa proposta Arquitetônica pode ser dividida em três áreas claramente distintas:
 
- Zona de Acolhimento (Térreo) onde é organizada toda a porção do Programa relativa ao uso coletivo, de visitantes, docentes e discentes. Estas atividades têm grande potencial de exposição e de relacionamento com a comunidade;
- Plataforma de Ensino (1º e 2º Pavimentos) onde está o cerne do programa e sua parte expressiva – as salas de aula e laboratórios, de uso e acesso exclusivo dos estudantes vinculados à unidade;
- Apoio (Subsolo) local onde foi alocado, além do Estacionamento, a porção do programa auxiliar ao bom funcionamento do edifício.
 
Cada uma destas áreas recebeu um tratamento distinto e apropriado ao seu uso e função.
 
Cientes das dimensões análogas e proporcionalmente divisíveis dos ítens do programa, o uso da modulação regular na estrutura é conveniente. No comprimento do terreno, a dimensão do vão é única, de 6 metros, capaz de acomodar, segundo o Código de Obras e Edificações, vagas de tamanho médio/grande no subsolo, áreas de uso comum e de docentes no térreo, e garantir a largura proporcional e agradável das salas de aula e laboratórios no 1º e 2º pavimentos. Na largura do terreno, os vãos são convenientemente, de 7,5m, 8m e 8,5m. O central, de 8m, é a dimensão da eficiência resultante do comprimento das escadas social e de emergência, dos elevadores, banheiros e respectivas circulações. Os demais, de 7,5m e 8,5m correspondem à variável flexível das salas de aula e laboratórios, enquadrando o espectro de dimensões distintas desses espaços com coerência, envolvendo principalmente, o auditório, biblioteca e laboratórios.
 
O sistema construtivo é em Estrutura Metálica com pintura eletrostática branca, capaz de assegurar uma obra seca e rápida, compatível e coerente com os demais elementos produzidos com qualidade na escala industrial. Em concreto, apenas os núcleos nas extremidades, de elevadores e escada de emergência, conferindo estabilidade ao conjunto.
 
Dito sobre o continente é no conteúdo que despendemos maior diligência. Quatro módulos de recesso no Térreo foram garantidos para a área externa coberta, onde os transeuntes encontram abrigo às temperaturas mais altas do interior paulista; além de um espaço para exposições, a praça serve de foyer às atividades do auditório e eventos da unidade. Oportunamente, o lobby/atendimento ao cliente foi alocado no centro da retícula, dessa forma, distribui os fluxos, após o controle de acesso, com eficiência. Visitantes são acolhidos no estar, enquanto aguardam atendimento. Professores e alunos, com acesso autorizado, podem transitar na segunda zona de circulção, contígua ao lobby, com acesso: à biblioteca, referênciada por sua vitrine educacional; aos setores de atendimento ao aluno (educacional e administrativo); ao auditório – este com três opções de acesso (controlado, pelo lobby, ou diretamente pela praça, atendendo a diversas programações); além de acesso aos elevadores e escada à Plataforma de Ensino no 1º e 2º Pavimentos, e ao Apoio e Estacionamento no subsolo. Os funcionários têm ainda uma circulação controlada secundária, de seu interesse exclusivo. Os atendentes têm acesso direto e controlado ao perímetro de suporte ao aluno e setor administrativo para maior facilidade de comunicação. Na Zona de Acolhimento (Térreo) são usados materiais transparentes e translúcidos sempre que possível, estabelecendo uma relação horizontal dos programas adjacentes com o exterior, seja com a praça frontal ou o jardim de arbustos posterior – a biblioteca sendo singularmente, beneficiada por sua extensão física ao ar livre.
 
Ao acessar a Plataforma de Ensino (1º e 2º Pavimentos) os usuários se inserem numa espacialidade distinta. A lógica nestes dois pisos foi de criar um único recinto. Propriamente dito, não há circulação residual, senão uma generosa área de convivência compartilhada entre os andares.
 
As salas de aula e laboratórios ocupam os módulos longitudinais das fachadas. Livres de qualquer elemento estrutural são flexíveis quanto sua partição – podendo ser redivididos conforme novas demandas. Via de regra, o pátio central é o espaço que permite esta flexibilidade das adjacências; circulações verticais e horizontais, banheiros, convivência, áreas técnicas e saída de emergência –  elementos fixos, foram alocados nessa faixa central. Esta paisagem interior não estaria completa sem o conforto térmico e lumínico garantido pela abertura zenital que promove a habitabilidade desse núcleo. Se o racicínio do térreo foi a expansão dos vetores visuais horizontais, na Plataforma, em oposição, são os vetores verticais que promovem a personalização desse espaço.
 
Toda a infraestrutura demandada pela Plataforma de Ensino encontra em duas prumadas de shaft, ao lado dos elevadores, o caminho para a zona de Apoio no subsolo, onde estão o QDL Principal, racks de rede e telefonia e centrais de segurança e automação.  Nesta cota, está alocada a parte do programa de interesse exclusivo dos operadores da unidade, a parte das 40 vagas estipuladas pela Legislação através da proporção de área construída.
 
A partir do número de vagas estabelecido, confrontado com o valor social da cota zero do terreno, a implantação do subsolo tornou-se irrefutável. Diante da rampa (i=20%) um primeiro recuo (previsto no Código de Obras) serve como desembarque/descarga, e em um segundo momento, já no subsolo, próximo aos containers de coleta seletiva, há também outra zona de desembarque/descarga.
 
O reservatório de águas pluviais para reuso que se pretende construir sob a projeção da rampa demonstra nossa preocupação em reduzir a pegada ecológica do edifício. Este e outros recursos ficam evidentes em nossa proposta. Embora todo o edifício tenha sido planejado para receber climatização artificial, principalmente devido às fontes geradoras de calor (computadores e equipamentos) na ausência da mesma, as janelas tipo maxim-ar podem ser abertas, bem como as bandeiras sobre a parede de divisa das salas de aula e laboratórios com o pátio interno. No pátio, aberturas na zenital permitem que o ar quente ascenda por efeito chaminé, e a Unidade seja naturalmente ventilada. O processo é beneficiado pelos brises fixados sobre os pilares recuados da edificação, o que reduz a incidência direta, logo a temperatura, dos espaços internos. Este intervalo, entre fachada e brises, com grelhas para acesso, também auxilia na fácil manutenção de ambos.
Em síntese, a nova unidade do Senac em Bebedouro é concebida para performar racionalmente, da obra à operação. Contudo este critério não é articulado em detrimento da Arquitetura. Supridas as demandas, nosso propósito é de fomentar novas possibilidades de arranjo e agenciamento do espaço. Num cenário contemporâneo, de edifícios homogêneos e disformes por demandas imediatas, nossa opção foi pela flexibilidade compartimentada (zonas mencionadas). Em sua natureza, a coerência é suplementada pela eficiência, e a funcionalidade superada pela performance.
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